O mendigo se aproxima, temeroso, do santuário vazio. Ele faz as reverências que sabe e se prostra, na expectativa não de falar com Deus, mas de ouvi-lo. Espera. E enquanto os pássaros cantam aqui e ali, e se fazem ouvir os ruídos da humanidade mais além, o mendigo sente. Se o silêncio fosse total, Deus estaria mudo.
A beggar approaches the empty sanctuary in fear. He shows reverence in his own way, and kneels as he expects not to speak to God, but to hear Him. A feeling overwhelms him while birds sing here and there and the noises of manking are made audible from a distance. If all was silence, God would be dumb.
domingo, 25 de setembro de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O poder da troca
O menino que ouvia o fundo das palavras sabia sempre que música tocava na alma de quem falava com ele. Se triste, encantada, amaldiçoada ou vazia, cada alma se revelava para ele com a clareza do que não se diz e se sente. Todos os sentimentos eram dele à medida que as palavras eram ditas. Ele se perdia odiando, amando, afagando e sofrendo ao conversar. E tanto ouviu e sentiu que calou para sempre. Não por desgosto, mas por plenitude.
(em silêncio, converso muito com este menino)
(em silêncio, converso muito com este menino)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Previsão
No País onde Todos Dormiam, acordar doía muito. Era preciso um esforço extremo para abrir os olhos, quase como se fazê-lo fosse o sonho mais temido, e o pesadelo mais paralizante. No País onde Todos Dormiam, quem conseguisse, por fim, despertar, tinha de combater as próprias pálpebras, que insistiam em fechar. Tinha de enfrentar a moleza nos braços e nas pernas, a vontade horizontal aguda, o engano do cansaço de descanso infinito. E quem conseguisse, afinal, manter os olhos abertos, precisava lembrar bem dos seus sonhos para, desperto, ter onde ir. Pois a única coisa boa nesse País é que ele não tinha fronteiras.
domingo, 3 de julho de 2011
Além - Beyond
Tirei calmamente as mãos do bolso e com elas esfreguei até esmigalhar a flor que você me deu. Depois senti o cheiro nas palmas e vi as migalhas das pétalas, tão impermanentes, espalhadas no chão à minha frente. Eu não tinha lágrimas, nem sorrisos. Mas os fatos.
***
I took my hands off my pockets slowly and rubbed the flower you gave me. To pieces. Then I smelled my palms and saw the crumbs, all so impermanent, scattered on the ground in front of me.
No tears, not a smile, but the facts.
***
I took my hands off my pockets slowly and rubbed the flower you gave me. To pieces. Then I smelled my palms and saw the crumbs, all so impermanent, scattered on the ground in front of me.
No tears, not a smile, but the facts.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Gaia
Nós estávamos todos em casa. E poderia ter sido um buraco no assoalho, mas foi exatamente o contrário: o piso começou a ganhar volume no ponto em que a luz do lustre mais incidia. No início era igual a quando o piso trabalha e levanta um pouco. Mas não parou ai. Dentro de nossa casa nascia uma montanha que vimos crescer, aos poucos, mas infinitamente. Alguns de nós preocuparam-se em sempre poder ter acesso ao cume, acoplando e adaptando escadas e novos degraus. Outros olhavam, dia após dia, sem querer acreditar na montanha. E outros ainda deram as costas a ela, mas para esses a vida em nossa casa tornou-se um inferno, pois é impossível ignorar a topografia de onde moramos. Uns se mudaram e outros se mudaram para cima da montanha.
the opposite of love isn't hate. it's fear. or indifference.
veja os filmes "zeitgeist" no youtube
***
We were all home. And it could have been a hole in the floor but it was exactly the opposite: floor tiles bulged out there where the chandelier cast its brightest spotlight. In the beginning it was like when the floor adapts to changes or moisture in the ground. But it didn't stop there. Inside our house grew a mountain. We saw it rise little by little, though endlessly. Some of us were concerned with always having access to the top and kept adapting ladders and adding them steps. Others stared, day after day, unwilling to believe it. Others still turned their back on the mountain, but for them life in our home turned into hell. Because you cannot ignore the topography of where you live. Some moved out and some moved to the top.
the opposite of love isn't hate. it's fear. or indifference.
see all zeitgeist films on youtube
the opposite of love isn't hate. it's fear. or indifference.
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We were all home. And it could have been a hole in the floor but it was exactly the opposite: floor tiles bulged out there where the chandelier cast its brightest spotlight. In the beginning it was like when the floor adapts to changes or moisture in the ground. But it didn't stop there. Inside our house grew a mountain. We saw it rise little by little, though endlessly. Some of us were concerned with always having access to the top and kept adapting ladders and adding them steps. Others stared, day after day, unwilling to believe it. Others still turned their back on the mountain, but for them life in our home turned into hell. Because you cannot ignore the topography of where you live. Some moved out and some moved to the top.
the opposite of love isn't hate. it's fear. or indifference.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
até onde podemos mudar as coisas
você é simples e os seus silêncios são planos. Por isso usei seu retrato em preto e branco para colorir, e acrescentei curvatura pronunciada aos contornos de sua face, espessura às sombrancelhas, abundância aos cabelos, feitos agora para cair sobre a testa. Para ver se sua planície de efeitos ganha relevo. Para ver se essa sua imagem lhe dá alguma ideia de variegar, colorir, fazer diferente. Não que a simplicidade não seja bela. Mas dependendo, ela não entretem. Coloco seu retrato, agora maquiado, no portaretratos. Depois, o portaretratos sobre a mesa no meio da sala.
vocé indaga "quem é?" Eu respondo "quem vocé queria que fosse?" A resposta, simples. O siléncio, plano.
(nosso convívio não é uma busca nem um encontro. sobrepomos nosso olhar para vermos melhor.)
***
vocé indaga "quem é?" Eu respondo "quem vocé queria que fosse?" A resposta, simples. O siléncio, plano.
(nosso convívio não é uma busca nem um encontro. sobrepomos nosso olhar para vermos melhor.)
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domingo, 12 de junho de 2011
o maior dos anseios - the greatest yearn
começo a ser
inteiramente eu
um sentido de concretude
serenidade
e fluxo.
***
I'm turning to be
fully me
a sense of concreteness
serenity
and flow.
inteiramente eu
um sentido de concretude
serenidade
e fluxo.
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I'm turning to be
fully me
a sense of concreteness
serenity
and flow.
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